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9 de agosto de 2011

Guerra dos derrotados



Estou escondido entre as ruínas de um lugar que já fora uma bela cidade, a mesma aonde é travada uma guerra. Já estou surdo com o barulho de tantos tiros, aviões caindo e explosões, com o som agonizante dos soldados e civis sentindo o gosto da morte já descendo pela garganta. Estou cego com os incêndios que me queimaram os olhos, com os destroços das casas e os corpos mutilados sangrando servindo como adubo ao solo em meio às ruínas.

Tenho medo de sair e ser mais uma vítima, mais um mero número para as meras estatísticas desta guerra que já perdeu o sentindo. Não sei onde estão meus entes, estimo que já padeçam, assim como estarei antes do tardar do dia. Sei de tudo um pouco e nada de tudo, mas não entendo o que levam pessoas a se tornaram tão sedentas por poder quanto uma besta por sangue.

Tantos inocentes a morrer neste dia fúnebre, por causa de um ideal que nem é deles, soldados e civis, combatendo com seus canhões ou pedaços de pau, buscando agora já em batalha unicamente a sobrevivência, todos vítimas de líderes incompetentes, sentados em suas cadeiras almofadadas dentro de suas fortalezas esperando todos morrerem por sua causa.

Seres humanos agindo como feras e padecendo como tais, no final mais alguns milhares de corpos. O poder por fim estará nas mãos de apenas um lado, mas todos saem derrotados com suas cidades caídas ao chão e seus habitantes mortos. Governos ao declínio sem ter a quem governar.

3 de agosto de 2011

Doce ilusão

Lucia acordou cedo aquele dia. Tirou seu pijama, e deitou-se novamente, enquanto num dava a hora do almoço. Ficava trancada no apartamento durante o diatodo. Preferia não sair. Não tinha um namorado para apresentar ás amigas e tampouco tinha amigas. Mas ela gostava de ficar sozinha. Sua imaginação era uma companheira fiel. A companheira que criava companhias perfeitas para ela.
Gostava de acordar e passar um bom tempo na cama, vivendo um sonho enquanto sonhava acordada. Virou se para seu lado direito,deslizou sua mão pelo lençol da cama e ficou imaginando seu namorado ali a seu lado, a abraçar-lhe e acariciar-lhe o cabelo ao mesmo tempo. Se encolhia enquanto pensava. Ele não era um homem perfeito, apesar de ser imaginario. Mas era alguem com quem valia a pena estar junto. Era o homem que ela sempre imaginava que estava ao lado dela. Aquele que lhe fazia companhia a qualquer momento, não importava qual fosse o problema. Aquele que lhe abraçava todas as vezes que sentia medo e que limpava suas lagrimas quando chorava, de tristeza ou de alegria.
E ali ficava. As vezes olhava para o relógio ao lado da cama e via que era uma hora inadequada para estar deitada e que devia fazer outras coisas. Mas pensava: Deixa que o futuro fica pra depois. E esse depois ia se prolongando mais e mais. E assim cada milésimo se transformava em segundos, que originavam minutos, que se tornavam horas. E no instante em que estava no presente, já não estava mais. Porque um minuto do presente se passava e já era passado.
Mas ela não se importava. Adorava as companhias e a vida que criava com a mente. Talvez estivesse perdendo tempo ali deitada, imaginando uma vida. Mas não ligava, pois gostava de viver o imaginario.
Era uma realidade mais bonita do que a realidade que as pessoas que a ignoravam viviam.
Olhou o relógio. Com muito custo, decidiu levantar-se para preparar o almoço. Assim como seu corpo tinha fome de bem estar emocional, seu estomago tambem tinha fome de alimentos.
Quase chorava. A vida que levava fora da mente, era triste, e por isso quase chorava. Mas então surgia seu namorado imaginario, o verdadeiro homem ideal e fazia lhe companhia. Fazendo da sua vontade de derramar lagrimas evaporar. Ele a fazia feliz. E era assim que Lucia vivia.

21 de julho de 2011

Os prazeres de uma vida bem vivida

O que sou? Um corpo exausto pela longínqua idade ou uma alma que ainda insiste em viver?
Os cabelos brancos denunciam minha longa idade. Meu corpo já se encontra ao fim desta vida, mas seu desgaste já não é à toa, anos de trabalho árduo para sustentar minha futura geração. Não irei dizer que a vida foi injusta comigo, aproveitei tudo que ela me concedeu. Pude beijar e desfrutar de todas as damas que eu consegui até encontrar a minha rainha a quem dedicava cada minuto de meu ser, mulher que me concedera belos filhos. Sei que estou velho e fui vencido pela idade, mas o tempo ainda não levou meu espírito de lutar pela vida, como sempre fiz nos momentos difíceis. Sim, nem sempre fui rodeado por estes requintes, houve época que a comida não era farta e tinha de ser racionada para durar até a próxima colheita. Minha mente nunca esteve tão lúcida, enxergo toda minha história, meus erros, decepções e todas aquelas loucuras joviais. Lembro-me dos bailes, das belas damas a deslizarem seus corpos sobre o meu nos passos do samba. Claro que dancei, o Carnaval no Rio era para mim como o piano para Beethoven e a ciência para Einstein. Foi inclusive nos arredores de uma tabacaria carioca, que promovia o mais sinfônico samba do Carnaval, que conheci minha bela rainha. Estava a bailar como sempre pelos carriches de Ipanema quando vi aquele formoso corpo se contorcendo em uma sinfonia perfeita ao ritmo da música. Claro que me lembro, era a baladinha romântica do samba tocando por todas as ruas da cidade maravilhosa. Perto da tabacaria que eu a avistei, trajando aquele vestido longo e cheio de cores vibrantes, mas foi teu sorriso que me hipnotizou, transbordava energia e felicidade contagiante, era inesquecível. A madrugada chegara mais rápido do que eu previa e logo ela desapareceu na multidão que se espalhava pela cidade antes do despertar do dia. Tempos depois a reencontrei. Como eu sabia que era ela? Não presta atenção ao que digo meu jovem? Sim o sorriso, não tinha como confundi-lo, era único e combinava perfeitamente com aqueles traços sensíveis do rosto dela. Naquela mesma noite a conquistei, ela tornara meu mundo e eu levei-a para conhecê-lo. Gostaria de poder viver tudo novamente, tudo que errei e acertei faria da mesma maneira, aquelas sensações são incomparáveis, o despertar de minhas emoções. Posso ser louco, mas que graça teria a vida se não fosse cheia de loucuras? Elas que nos mostram a sanidade, irônico não? Ah meu cabelos brancos revelam que já vivi bastante, porém não o quanto o meu ser desejasse. É algo natural nascer, viver e morrer, não é assim que funciona a vida? É triste pensar em tudo isso, mas o Destino nos traça um caminho com início, meio e fim. Fui feliz, desfrutei de todos os prazertes da vida. Deus me fez humano com um propósito e eu o segui. Fiz de minha rainha a senhora mais alegre deste mundo e todos os outros, deixei minhas gerações a traçarem seu próprio caminho e entreguei ao mundo meu conhecimento, minha experiência com as palavras, com a dança, a música e todas as outras belas artes provindas da inteligência humana. Meu corpo pode estar no fim, mas minha alma viverá para sempre naqueles que se lembram de mim e ainda vivem.

3 de março de 2011

A pequena grande intenção

- Mamãe, você acredita em papai Noel?
- Claro que sim. Ele não te traz presente todo ano?
- Sim...Mas isso me fez pensar. Dizem que o papai Noel esta em todos os lugares do mundo, dando presentes. Mas por que as criancinhas mais pobrezinhas mesmo não recebem? Elas são as que mais precisam.
Angela olhava para a filha, sem saber o que dizer. Não podia destruir a inocência da menina, contando que todos os anos era seu pai quem lhe comprava presentes. O que poderia ser dito? O que ela poderia dizer para que o papai Noel continuasse a ser um bom velhinho?

Em meio a todo aquele embaraço, July interrompeu os pensamentos da mãe.
- Parece que você tambem não sabe por que tudo isso acontece, não é mamãe?
Angela suspirou fundo e concordou:
- Pois é...A mamãe tambem não sabe. Olhando triste para os olhos da filha.
- Mas não tem problema mamãe. Esse ano será diferente. Eu tenho um plano. Já escrevi minha cartinha para o papai Noel e deixei um punhado de balas junto com ela. Pedi a ele para que levasse aquelas balinhas pra as crianças mais pobres do bairro. Eu não tenho o suficiente para todas, mas embrulhei 5 balas em cada papel de presente e sei que o velhinho irá entregar a elas.
Imagine mamãe, o sorriso delas quando abrirem os olhos e verem que o Papai Noel esteve na casa delas!

Os olhos de July brilhavam só de pensar na felicidade que aquelas crianças teriam. Afinal, mesmo sendo balas, estavam embrulhadas. E tudo que esta embrulhado é presente. E todos sorriem quando ganham presentes.
- Estou tão feliz por você filha. Abraçou a menina com um enorme orgulho no peito. Estava emocionada de saber que sua filha se preocupava com os outros. A intenção dela, apesar de inutil era linda. Ainda mais para uma criança.

Enquanto a menina a olhava sem resposta, para o motivo de crianças pobres não receberem presentes do papai Noel, mas super feliz por estar presenteando as mesmas com algo. Angela só coneguia pensar: O que vou fazer com essas balas?
O natal deveria ser algo especial para todos. É tão injusto apenas os mais ricos ou com uma situação financeira melhor poderem saborear a mágia de um dia tão incrivel como essa data.
Por isso que Angela, desde sempre gostara mais do ano novo, pois representava o recomeço, uma nova esperança e perspectiva para todos.

Se levantou da cama de july, e sorriu antes de se retirar do quarto. Ela tambem aprenderia isso, e talvez pensasse assim um dia, daqui alguns anos.

Muitas vezes queremos mudar a realidade que nos cerca, temos idéias e boas intenções, mas não temos o poder. Não temos o maldito dinheiro ou titulo para poder ajudar alguem.Muitas vezes nos deparamos com situações muito tristes e então derramamos lagrimas, lamentamos e queremos ajudar, mas muitas vezes não podemos. Ou então estamos passando por algum momento muito difícil e não temos como muda-lo de imediato.
Momentos ruins acontecem com todos. Mas sempre há dias melhores. O amanha costuma ser muito mais belo que o hoje. E você deve ter paciência para esperar.

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